segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Beleza Perfeita

Em um mundo em que a beleza está cada vez mais pasteurizada — lábios à la Angelina Jolie, seios à Gisele Bündchen... —, preservar a identidade, fazendo ajustes quando necessário, é a maneira mais sensata para ficar e se sentir bonita. Melhorar sempre. Transformar-se e ainda correr riscos por causa disso, por favor, não! Selecionamos as novidades mais bacanas do XI Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica para quem está pensando em recorrer aos retoques.

Lipo mais segura

A nova cânula descartável vem com uma promessa e tanto: eliminar o risco de contaminação por bactérias durante a cirurgia, pois as danadas dificultam a cicatrização, podem causar depressões na pele e exigem tratamento com infectologista. “A cânula tradicional, feita de ferro, pode armazenar resíduos mesmo após esterilizada”, explica o cirurgião plástico e inventor da novidade, Ewaldo Bolívar, de Santos (SP). “Isso favorece a proliferação de microorganismos, que acabam sendo injetados no corpo junto com a gordura numa lipoenxertia.” E é preciso mesmo ter cuidado: entre 2000 e 2008 foram registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mais de 2 mil casos de infecção por bactérias em cirurgias invasivas. Outra vantagem é o fato de ele ser menos rígido, por ser feito de aço inox revestido de silicone. “Com isso as chances de romper vasos, causar hematomas e perfurar órgãos é menor”, acrescenta o médico, presidente da comissão de ciência e segurança de cirurgia plástica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A cânula descartável está em fase final de aprovação pela Anvisa.

Nariz de ponta

Já reparou que algumas pessoas, quando falam ou sorriem, têm a ponta do nariz projetada para baixo e a gengiva fica mais aparente? Isso acontece por culpa do músculo localizado na parte interna do lábio superior, que nasceu mais curto. A técnica batizada de rinodinâmica é a solução para o problema. “Basta aplicar anestesia local e fazer um microcorte no feixe central para ‘descolar’ a musculatura e evitar que ela repuxe o nariz e a boca”, diz o pai da invenção, o dr. Ewaldo Bolívar. Quinze minutos e dez pontos na mucosa depois você pode ir para casa. Apesar de simples, o procedimento deve ser realizado em hospital. O curativo é retirado em uma semana, período em que você deverá segurar o riso — as gargalhadas são liberadas depois de 15 dias e o beijo, de dez. O inchaço desaparece no segundo dia, quando dá para voltar a comer alimentos sólidos. A técnica ainda pode ser usada para corrigir narinas abertas, conhecidas como nariz negroide. “O segredo é costurar a parte de cima do músculo no centro dele para, automaticamente, dar uma fechadinha nas asas nasais”, completa o especialista.

Mulher silicone

Pela primeira vez a cirurgia para o aumento das mamas superou o número de lipoaspirações: foram 96 mil contra 91 mil casos, segundo pesquisa Datafolha/Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de 2009. Mas a brasileira não está limitando aos seios a colocação do silicone. Agora turbinam bumbum, bíceps, panturrilhas e sabe-se lá mais o quê. “O que nos preocupa é a procura desenfreada por um visual que foge ao natural”, diz a cirurgiã plástica Wanda Corrêa, do Rio de Janeiro, coordenadora da comissão de silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo ela, há mulheres que decidem colocar o implante para que os seios não se mexam enquanto caminham ou não achatem ao deitar-se! Outras substituem a musculação pela prótese nos braços e pernas na ânsia de ficar saradas para ontem. “Verdade que vivemos um momento em que tudo é muito rápido: e-mail, celular, Twitter. Mas imprimir essa velocidade para mudar o corpo pode colocar a saúde em risco”, fala. Cirurgia não é brincadeira. Inclui anestesia, cortes, perda de sangue e até resultados aquém do esperado. Além disso, é bom saber que todo implante inclui exames constantes para analisar sua integridade e a possibilidade de troca devido ao desgaste pela ação do tempo e da gravidade. É isso mesmo que você quer?

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